sábado, setembro 08, 2007

 

Fé e Crença: descubra as diferenças

No Teologia (reparem que a url tem uma sequência de três setes quando seria muito mais engraçada a sequência de três seis!), o autor Tilleul escreveu um artigo intitulado "Fundamentalismo Ateu" acusando a grande maioria do ateísmo praticado em Portugal de ser um ateísmo anti-clerical e, portanto, fundamentalista.

Já anteriormente referi no meu blog o que penso sobre a etiquetagem de "fundamentalistas" aos ateus. Também já referi o que penso sobre esse tal ateísmo pouco construtivo, baseado no bota-abaixo.

O que o autor Tilleul parece querer ignorar - e não o deveria fazer - é que existe uma grande diferença entre a sua fé e a sua crença. Enquanto ateu, não me sinto com o mínimo direito de questionar a sua fé seja ela em deuses barbudos, em unicórnios brancos ou noutros chifrudos de língua bifurcada patrocinados pelo SLB. A fé do Tilleul é lá com ele e ninguém tem nada a ver com isso!

Já em relação à sua crença, acho-me no total direito de a questionar. Porque enquanto a fé individual nasce e morre dentro do indivíduo, os sistemas de crenças têm uma tendência perigosa de se transformarem em fenómenos epidémicos de transmissão de aldrabices infantis sobre as explicações do mundo que nos rodeia, o sentido da vida ou um suposto sentido da morte.

Muito do que aquilo que o Tilleul acusa de anti-clericalismo é, antes sim, anti-proselitismo. E se o Tilleul quer - e acho muito bem que o queira - continuar a ter o direito à sua fé individual, tem que, quanto antes, deixar de tentar impor essa mesma fé aos outros e compreender que há quem, de facto, não precise da fé para nada.

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quarta-feira, maio 23, 2007

 

Boa pergunta

À excelente pergunta «Como pode um Deus omnipotente e cheio de amor permitir o sofrimento humano?», o pastor Tom Honey responde com uma cuidadosa reflexão. Procurando várias respostas, ele parece esquecer-se de uma delas. O ateísmo. Nem seria necessário um ateísmo a 100% - bastaria recusar apenas esse Deus que, paradoxalmente, alguns afirmam ser omnipotente ao mesmo tempo que tem um grande amor pela raça humana. Eu duvido que esse deus exista.

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terça-feira, maio 15, 2007

 

Madeleine McCann em Fátima


Como pai e como alguém que adora crianças, lamento profundamente os acontecimentos à volta do desaparecimento da pequena Madeleine McCann. Como lamento o desaparecimento de todas as crianças portuguesas que, todas juntas, nunca fizeram gastar tanta tinta e tanta concentração de meios para a resolução dos seus casos. Sinceramente, ainda bem para a pequena Madeleine que esses meios estejam disponíveis para ela. Esperemos que este seja um novo padrão a que a nossa policia nos venha a habituar. O ideal seria que tais meios nunca voltassem a ser necessários; mas isso só aconteceria se o mundo, de repente, passasse a ser perfeito.

O que eu não suporto mesmo é a ignorância mascarada de fé saloia. Então, não é que em Fátima, nas celebrações dos 90 anos do embuste-mor nacional, proliferavam as imagens da pequena Maddie com preces para que a pequena fosse encontrada sã e salva!?!

Mas, afinal, onde estava o deus desta gente quando a pequenita desapareceu? Porque é que não se viram cartazes a perguntar ao tal deus ou à sua virgem concubina porque deixaram que a pequena e inocente Maddie desaparecesse, assim, sem mais nem menos? Não é suposto esse tal omni-tudo olhar pelas criancinhas e pelos inocentes? Afinal, ou esse ser que gosta de ser bajulado não sabia o que estava a acontecer e não é omnisciente ou sabia e não fez nada. Pergunto eu: não fez porque não quis ou porque não pôde? Se foi porque não pôde, não é omnipotente. Se foi porque não quis, de facto, não me surpreende; é o que se pode esperar de quem condena um filho à morte por pura vaidade e necessidade de afirmação, num autêntico frenesim de egocentrismo!

(Publicação simultânea: Diário Ateísta / Penso, logo, sou ateu)

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quarta-feira, abril 18, 2007

 

O rei vai nu (mas muito bem vestido?)

O João Vasco abordou o célebre conto d´«o rei que vai nu», para concluir que «mesmo que alguns ateus digam "estão a ver coisas que não existem e a enriquecer o clero inutilmente" - muitas pessoas encaram isso apenas como uma limitação dos ateus, que não conseguem ter acesso à "dimensão espiritual"». Justamente. Uma das dificuldades fundamentais do diálogo com os crentes é justamente essa: embora o rei vá nu, eles insistem que vai muito bem vestido.

Geralmente, a situação é a seguinte: nós apresentamos provas de que a «ressurreição» é impossível, que a criação do universo por uma entidade consciente é disparate, e que «vida depois da morte» é um oxímoro. Em suma, explicamos que o rei vai nu. Eles respondem que não estamos abertos «à dimensão espiritual» em que eles vêem as roupas do rei que está nu, que milhões de pessoas ao longo dos séculos disseram que o rei estava vestido embora estivesse nu, que existem escolas (e até universidades) em que se estuda o tecido da roupa que o rei usa quando vai nu, o casaco, as calças e a camisa usadas pelo rei quando vai nu, as cuecas e os peúgos do rei quando vai nu, e até os formatos e as cores dos botões da camisa que o rei leva quando vai nu. Dizem-nos ainda, com deleite, que dezenas de teólogos discutiram apaixonadamente durante séculos se os botões da camisa que o rei usa quando está nu têm dois ou quatro buracos, e que esse debate é a maior prova da beleza e da própria realidade indiscutível das roupas que o rei usa mesmo quando está nu.

A verdade é que as crenças religiosas mais populares não são «sofisticadas», «filosóficas» ou particularmente complexas. São ideias bastante simples, até enternecedoras na sua ingenuidade. Por muito protegidas que as roupas pareçam estar pelas «universidades» de teologia e pelas toneladas de papel não reciclado que se gastaram a discuti-las, a verdade é que o rei vai mesmo nu.

[Diário Ateísta/Esquerda Republicana]

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domingo, fevereiro 18, 2007

 

Fluxogramas da Ciência e da Fé

(Via Pharyngula)

Esquematizar processos é um método valioso para a apreciação e validação dos mesmos. Para quem, como eu, tem alguma formação em programação (lembram-se do COBOL?), um fluxograma é sempre uma ferramenta valiosa para descobrir os pontos fracos (ou fortes) de qualquer processo.

Ao analisar os fluxogramas que se seguem não posso deixar de compreender porque é que tanta gente se deixa atrair pela Fé. Reparem na sua simplicidade!

Pena que seja a sua única virtude!

Fluxograma da Ciência

Fluxograma da Fé

(Também no "Penso, logo, Sou Ateu")

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