quarta-feira, março 17, 2004

 

Estamos perdidos...

Público: Sampaio: taxas de abandono escolar são "dramáticas"

Desista... Senhor Presidente... num país de professores, doutores e engenheiros não há lugar para o amor ao conhecimento.

Não se aprende. Não se cria. Fazem-se disciplinas e cadeiras.

Quando os próprios conselhos das escolas, seleccionam secretamente as turmas em função da classe social do aluno... Quando os sindicatos corporativistas de professores tentam impedir a todo o custo a avaliação dos seus membros.... Quando o ministério da educação e os seus servos e senhores políticos manipulam programas, concursos e avaliações em jogos de secretaria... Quando o exame e a avaliação contínua são reduzidas a actividades medíocres... Quando se fecham as escolas que tentam usar métodos assertivos, democráticos e responsabilizadores... Quando os pais e filhos cultivam a mediocridade e na incapacidade de controlar a sua própria vida, entregam-na nas mãos de «autoridades»... Quando as gerações não sabem ler, escrever e raciocinar e ser criativas... Quando se usam títulos, uniformes e se controla o acesso aos meios de comunicação social para as classes privilegiadas... Quando ninguém sabe comportar-se numa assembleia-geral ... Quando temos universidades públicas e comissões de bolsas que seleccionam subtilmente os acessos a uma «carreira universitária» que consiste em ser professor universitário (sem ensinar, sem investigar, sem...) a mando de lobbies e mafias corporativas... Quando alunos universitários encaram a universidade como uma oportunidade de ficarem bêbedos... Quando em todas as instituições de ensino superior se criam praxes e iniciações para se desenvolver o sentido de grupo corporativo, na exploração dos outros quando acabado o curso... Quando temos uma universidade católica, mantida pelo estado, que cria e descria cursos ao seu bel-prazer, facilita a manutenção do estatuto social de determinadas classes e pessoas e corrompe a concorrência com privilégios e empregos para a tecnocracia reinante... Quando as próprias pessoas que se dizem revolucionárias cultivam a mediocridade, prostituem-se nos próprios problemas e se revêm em visões simplistas do mundo...

Não há nada a esperar, Sr. Presidente...
Estamos perdidos...

Para termos uma sociedade do conhecimento, temos que ter pessoas que gozam com o acto de criação e aprendizagem.
Hoje, só as «elites» o podem fazer... Nos seus grupos corporativos e nas famílias privilegiadas...
E as coisas vão sempre se manter como foram e são...

A verdadeira meritocracia é medida pelo acto.
Sabemos demasiado pouco sobre o talento ou a inspiração para a remetermos a classes ou corporações, a títulos ou a reputações.

O mérito deve ser alcançável por todos, com todos e para todos...

Nunca haverá uma escola livre em Portugal.

Post Scriptum: Num exemplo do mais perfeito escárnio pelo que é a democracia, o conselho directivo de uma escola secundária em Castelo Branco, colocou um processo disciplinar por «ensinar o ateísmo, livre pensamento e satanismo» a um professor de filosofia do 10º ao 12º ano do ensino secundário. Ele limitou-se a responder com um «sim» a um aluno, que na sala de aula lhe perguntou se ele era ateu...

Quem é que serve poderes obscuros e malignos?

Comunicado de imprensa da Associação Républica e Laicidade




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