quinta-feira, março 25, 2004
O papa pede perdão. Quem será o sucessor que pedirá por ele...
O papa JP2 pediu perdão por erros e pecados que outros papas, igualmente santos e não menos infalíveis, acabaram por cometer.
A infalibilidade papal já existia antes de Pio IX erigi-la em dogma.
Calculo, pois, a perplexidade dos crentes. Em quem acreditar? Em quem, pedindo perdão, reconhece erros e pecados nos antecessores ou em quem, vendo neles virtudes e santidade, cometeu ou estimulou os actos que agora se condenam?
Foi corajoso João Paulo II embora incompreendido por muitos. Mas não deixa de ser profético o perdão ora pedido, a abrir caminho para que sobre o actual silenciamento de teólogos, a discriminação das mulheres, os anátemas sexuais, a expulsão de bispos e padres por delitos de opinião, etc. etc., os seus sucessores não se acanhem de pedir também perdão.
Um pequeno reparo apenas. O perdão pedido é irrelevante para as vítimas e demolidor para a infalibilidade e a santidade, dois atributos sem os quais um papa fica reduzido ao brilho dos paramentos e ao prestígio que a correlação de forças do momento lhe emprestar.
A ICAR deve rezar hoje com a mesma convicção com que outrora rezava pela conversão da Rússia, pelos nossos governantes e contra os judeus, para evitar que a erosão da Santa madre Igreja católica, apostólica, romana seja a porta aberta para outras religiões que não pedem perdão e, muito menos, perdoam.
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