quarta-feira, julho 14, 2004

 

Escândalo sexual piedoso


A diocese de Viena de Áustria tem sido um sólido apoio da política ultraconservadora de João Paulo II e uma fonte de preocupações para o Vaticano. Há poucos anos, o então cardeal, pilar da moralidade, guardião dos bons costumes, defensor da família, adversário do divórcio e promotor da castidade, viu-se obrigado a resignar à diocese por envolvimento em numerosos actos de pedofilia.
Sua Santidade (SS) aceitou a resignação «com profunda mágoa», sem ter esclarecido se a mágoa se devia aos motivos ou à perda de um influente apoio.
Agora a capital do pacífico e encantador país volta a protagonizar um sério escândalo sexual, com a ICAR no centro do furacão.
Mas onde está o escândalo? Não é na homossexualidade, orientação que as democracias aceitam com o respeito que é devido às minorias.

O escândalo reside essencialmente em 4 aspectos:

1 - No exibicionismo do reitor do seminário, com a mão direita nos órgãos genitais de um seminarista enquanto olha de frente a objectiva da câmara fotográfica, com a mesma satisfação com que cantou a primeira missa ou ministrou pela primeira vez a comunhão;

2 - Na contradição entre o que prega e o que faz a ICAR;

3 - No uso de fotos de pornografia infantil e orgias sexuais pelo reitor e vice-reitor do seminário, nas relações com outros padres e seminaristas, quando se sabe que há pais que ingenuamente lhes enviam filhos menores à confissão ;

4 - Na campanha de intolerância que a ICAR desenvolve contra a homossexualidade, nas perseguições que lhes moveu no passado e na covardia que os impede de denunciarem a bíblia como fonte de violência e iniquidade: "Os actos homossexuais são uma abominação aos olhos do Senhor" Leviticus 18:22, "Os homossexuais devem ser executados" Leviticus 20:13.

Enfim, os mullahs islâmicos têm com frequência rapazinhos ao seu serviço sexual, os pastores protestantes e os rabis exibem as mesmas condutas e, tirando os aspectos do foro criminal, resta-me usar de alguma benevolência para com os algozes, vítimas de um celibato imposto pelo último ditador da Europa - o papa JP2.




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