quinta-feira, fevereiro 17, 2005
O Kitsch da Fé

Aparentemente sou um ser fracturado espiritualmente.
Todos os dedos das minhas mãos têm estados espirituais diferentes!
Se a minha cabeça é racional e diz que as religiões não passam de um embuste e auto-engano por parte dos outros, o meu coração chama por altos píncaros de transcendência.
E o que dizer dos meus pés? Eles que aguentam com o peso do meu corpo, 100 exigentes quilos, pedem paciência e obstinação num protestante dia-a-dia . O baço, esse, fica-se pelo absurdo da vida e o fígado reclama por libações a baco, em desejos de morte libertadora. Os pulmões e o diafragama fartos do tabaco, reclamam por ascetismo e deixam-me com soluços em protesto. As partes pudendas, essas... Queriam um cartão dum clube de troca de casais, e os intestinos devem ser fundamentalistas, pois tratam tudo o que lhes for estranho como merda.
Tudo isto, porque experimentei os anéis da foto.
Decididamente, tenho que passar a usar luvas, para conseguir atingir algo próximo a um estado laico.
Os milagres da «Nova Era» conseguem-se graças às maravilhas dos novos materiais. Nada como um cristal líquido sensível ao calor, para mostrar o estado espiritual de uma pessoa. Se está quente de fé, de raiva ou de desejo, não há distinção. Só na hora da compra é que não se demonstrou muito esclarecimento.
Viva o novo mercado da fé! Onde as crenças são como as modas. Trocam-se na primavera e no inverno. Tal como os estados de espírito e o tempo que faz lá fora.
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