sexta-feira, novembro 30, 2007
Reencarnação sob referendo
Segundo noticia o Times Online, o Dalai Lama coloca a hipótese de consultar os seus seguidores num referendo sobre a sua reencarnação. Basicamente, pretende saber se os seus cerca de 14 milhões de seguidores em todo o mundo pretendem que ele reencarne ou não! Se a maioria achar que não, ele simplesmente não renascerá; caso contrário, quebrará a tradição centenária e nomeará ele próprio um reencarnado. Parece complicado, mas não é. Afinal, é apenas religião... e tudo é possível!
Etiquetas: budismo, dalai lama, reencarnação
domingo, setembro 30, 2007
Matar pessoas é matar pessoas
O senhor Sik Kok Kwong, líder dos budistas de Hong Kong, afirmou que «para os budistas, disparar contra monges inocentes é como derramar sangue de Buda», e que «os responsáveis por isso irão para o inferno de Avici» (que é o reservado para os piores crimes).
Que raio de ideia. Quero lá saber do sangue do Buda. Matar pessoas é matar pessoas, sejam monges ou não, estejam vestidas de laranja ou não. Será que um monge é algo mais do que uma pessoa?
Que raio de ideia. Quero lá saber do sangue do Buda. Matar pessoas é matar pessoas, sejam monges ou não, estejam vestidas de laranja ou não. Será que um monge é algo mais do que uma pessoa?
[Esquerda Republicana/Diário Ateísta]
Etiquetas: budismo, clericalismo
quarta-feira, setembro 12, 2007
«Dalai Lama»: um ex-ditador
O senhor Kenzin Gyatso (conhecido por «Dalai Lama») estará em Lisboa de hoje até domingo. É apresentado simultaneamente como o principal representante de um país invadido e oprimido pela ditadura chinesa, e como um líder religioso. É, desde logo, lamentável que exista essa confusão: seria preferível que não se confundisse a promoção dos direitos fundamentais dos tibetanos com a propaganda de uma opção espiritual. Mas é, portanto, da maior conveniência recordar o Tibete de que ele foi o monarca absoluto: uma teocracia feudal, em que ele era simultaneamente líder político e religioso, onde os mosteiros possuíam a quase totalidade da terra, assim como toda a autoridade política, judicial e policial, a maioria dos camponeses eram mantidos em servidão (senão mesmo em escravatura), o rapto de crianças pelas ordens religiosas era considerado normal, e os castigos corporais (amputação de mãos, furar olhos, chibatadas) eram a forma mais corrente de administrar «justiça». O Tibete governado pelo ditador Kenzin Gyatso era, portanto, uma teocracia opressiva e miserável. O Tibete ocupado pela China, contudo, sofreu um genocídio criminoso (morreram, provavelmente, centenas de milhares de pessoas), e ainda hoje existem limitações inaceitáveis à liberdade de religião (mesmo se os maiores rigores do ateísmo de Estado já foram, felizmente, abandonados). A administração dos mosteiros, assim como a admissão de monges e freiras, é hoje controlada pelo Estado chinês, e muitos religiosos que desafiam este totalitarismo estatal são presos e torturados. A doutrinação dos recalcitrantes é sistemática e compulsiva. Infelizmente, nada disso é diferente do que se passa noutras regiões da China. E a condenação da ocupação chinesa não desculpa a «romantização» do regime teocrático que o senhor Kenzin Gyatso liderou no Tibete.
Nota final: a vida não é só desgraças, e existe o ridículo da religião budista para nos animar. No Público de hoje, um senhor chamado Stewart Walters garante-nos que a «estratégia» chinesa de «controlar a próxima reencarnação do Dalai Lama» estará condenada ao «fracasso». Porquê? Sentem-se bem nas cadeiras antes de ler: «o Dalai Lama já disse claramente em várias ocasiões que, se a situação no Tibete se mantiver, a sua reencarnação terá lugar fora do Tibete e longe do controlo das autoridades chinesas». Pronto, já podem rir.
Etiquetas: budismo, clericalismo, Tibete
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